É ainda o solo argiloso que deu origem à indústria cerâmica com implantação na Bairrada há mais de uma centena de anos. No entanto, os povos que ocuparam a península, muitos antes da reconquista cristã, já fabricavam telha e tijolos, pois em escavações recentemente efectuadas (e até na abertura de poços e alicerces) se têm encontrado vestígios em toda a região.
Em Anadia, a fábrica de cerâmica, constituía um importante valor do património arqueológico em razão pela qual, no âmbito do “Plano Director Municipal de Anadia - Estudos de Caracterização”, a que o Anadiacomvida teve acesso, se propôs a sua aquisição pela autarquia, utilizando-o como futuro Museu Nacional da Industria da Cerâmica.
Em 1994, segundo o mesma fonte, foram elaborados por cientistas, historiadores e críticos de arte e outros especialistas, estudos que contemplavam a Cerâmica de Anadia no património cultural e arqueológico local, pelo que depois da catástrofe de 3 de Outubro de 2008, se coloca a questão de saber se as ruínas da cerâmica de Anadia, devem ou não ser reconstruídas.
Vista Geral das Ruínas da Cerâmica de Anadia, após o Dilúvio
Para quem não se recorde ( ou não se queira recordar – o que contra todos os interesses instalados, até compreendemos...) no dia de 3 de Outubro de 2008, uma grande inundação ocorreu na Rua Adriano Henriques, causada pela agitação das águas dos rios de Álfeolas e Cértoma, por uma elevação anormal do nível de água, causando uma devastação imensa por todo o perímetro que circundava aquele espaço, candidato a futuro Museu Nacional, desde 1994. Felizmente, a devastação não causou vítimas mortais, pese embora, milhares e milhares de corações destroçados permaneçam num saudosismo cultural. Impera hoje, aliás, um estranho sentimento bipartido entre a facção que considera o entulho que resta da cerâmica verdadeiras relíquias a venerar e aquela outra facção que quer ver reconstruído o “templo” da Cerâmica Nacional.
Fontes de informação maldosas ( de verdadeiro escárnio e maldizer ) que não acreditam em fenómenos paranormais mas que, no entanto, crêem piamente que a destruição da Cerâmica de Anadia, afinal não foi causada por um dilúvio no dia 3 de Outubro de 2008, mas sim por um acção concertada e paulatina de máquinas rectroescavadoras que (sabe-se lá de onde...), se encarregaram de destruir sozinhas, aquele belo espaço, pensado até para um futuro Centro de Congressos, inexistente no Concelho de Anadia. Obviamente, que estas teorias não têm qualquer fundamento... Toda a gente viu as águas da Bairrada elevarem-se a uma altura de quase 80 metros, as quais de forma milagrosa, se circunscreveram à área da Cerâmica de Anadia, salvando, contudo, a bela chaminé, ( qual Torre Eiffel ), que, de forma majestosa, impera nos céus de Anadia. Honra seja feita a tal local, que é já objecto de inúmeras romarias, cuja regulamentação turística urge efectuar-se, caso contrário, corremos o risco de todas as pessoas do país terem em sua casa, de forma gratuita, um tijolo evocativo da Cerâmica de Anadia, como objecto de culto.
Visite o local onde ocorreu o dilúvio. Anadia convida-o.
Exemplo de Pedra Típica da Cerâmica de Anadia, que dividiu as opiniões de Anadia ao meio O Díluvio - Fénomeno normal ou Paranormal ? - ( Imagem gentilmente cedida por peregrino)
Nos princípios do século V (409-411), aproveitando a instabilidade de poder gerada pela decadência do Império Romano, os povos germânicos penetraram na Península Ibérica e aí implantaram reinos de curta duração. De todos os povos que invadiram a Península, os Vândalos e os Visigodos seriam aqueles que teriam uma presença mais duradoura no imenso território que é hoje a Bairrada. Inicialmente, estabeleceram a capital do seu reino em Braga mas cedo se voltaram para a região do grés, motivados, segundo reza a lenda, pelas abundantes "pedradas" preciosas que existiriam no lado poente do Rio Certoma em Mogofores, as quais eram já bastante apreciadas desde a Idade da Pedra. Depois de dominarem Vilariñus Bairrius, chegaram a dominar também parte de Famali Canus, altura em que Silvius, um conhecido chefe das tribos anadienses, liderou uma revolta em luta pela autonomia do reino anadiense, até então dividido entre Vândalos e Visigodos. A partir daí toda a Península Ibérica é conquistada e unificada pelo reino anadiense, que perdurou até à sua queda em 769, altura em que Anadia se vergou à hegemonia do império Literianus.
Vista frontal das belas colunas visigóticas de Anadia